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Guia das Doenças Renais: Principais tipos, sintomas silenciosos e como prevenir

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30/05/2026

Os rins são verdadeiros heróis silenciosos do corpo humano. Trabalhando 24 horas por dia, 7 dias por semana, esses dois órgãos em formato de feijão filtram cerca de 180 litros de sangue diariamente.

Eles removem toxinas, equilibram a quantidade de água no organismo, controlam a pressão arterial e produzem hormônios essenciais para a saúde dos ossos e do sangue.

Apesar de desempenharem funções tão vitais, raramente recebem a mesma atenção preventiva que dedicamos ao coração ou ao cérebro.

Na maioria das vezes, só lembramos dos rins quando algo dá errado. E, devido à incrível capacidade de adaptação desses órgãos, quando eles finalmente emitem sinais de alerta, o problema já pode estar em estágio avançado.

Para ajudar você a entender melhor o próprio corpo e agir de forma preventiva, preparamos este guia completo.

Vamos explorar as cinco doenças renais mais comuns, desmistificar seus sintomas e ensinar como cuidar da sua saúde renal.

1. Doença Renal Crônica (DRC)

A Doença Renal Crônica não é propriamente uma única doença, mas sim o resultado final de diversas agressões que os rins sofrem ao longo de anos.

Ela é caracterizada pela perda lenta, progressiva e irreversível da capacidade de filtração: os néfrons, que são os microfiltros do rim, vão morrendo gradualmente e se transformando em cicatrizes.

Principais causas:

No mundo todo, as duas maiores causas da DRC são o Diabetes Mellitus, cujo excesso de açúcar corrói os micro vasos renais, e a Hipertensão Arterial, cuja pressão elevada e contínua sobrecarregam  os filtros renais. Juntas, elas respondem por mais de 70% dos casos de falência renal.

Sintomas silenciosos:

A DRC é dividida em 5 estágios. Nos estágios 1, 2 e 3, ela é normalmente  assintomática. O paciente não sente dor, não incha e urina normalmente.

Os sintomas da uremia, o acúmulo de toxinas no organismo, costumam aparecer nos estágios 4 e 5:

  • Inchaço acentuado nas pernas, tornozelos e rosto;
  • Cansaço extremo e falta de ar, devido à anemia severa;
  • Náuseas e vômitos matinais, além de gosto metálico na boca;
  • Urina espumosa, sinal de perda de proteína.

Tratamento:

Nas fases iniciais, o tratamento é conservador: controle rigoroso da pressão, da glicemia e da dieta.

Na fase 5, de falência renal, inicia-se a programação para  a terapia de substituição renal, como o transplante ou a diálise.

Aqui no CBN&D somos pioneiros na Hemodiafiltração Diária (HDF), que remove as toxinas com muito mais eficiência do que a hemodiálise convencional, garantindo que o paciente com DRC avançada recupere sua vitalidade e qualidade de vida.

A próxima doença é talvez a mais conhecida pela população.

2. Cálculo Renal (Pedras nos Rins)

O cálculo renal, popularmente conhecido como pedra nos rins, é uma das condições urológicas e nefrológicas mais comuns e dolorosas.

Ele se forma quando há um desequilíbrio na urina: substâncias como cálcio, oxalato e ácido úrico ficam muito concentradas e se cristalizam, formando pedras que variam do tamanho de um grão de areia até o de uma bola de golfe.

Pedras de dimensões não usuais  já foram encontradas nos rins, como foi o caso do ex-sargento Canistus Coonge, de 62 anos, no Sri Lanka, em 2023. O cálculo pesava 801 gramas e media 13,37 centímetros de comprimento.

Para não ter pedras recordistas no Guinness Book, entenda as causas, os sintomas e como se prevenir.

Principais causas:

  • Baixa ingestão de água, que resulta em urina muito concentrada e amarelada;
  • Consumo excessivo de sal e proteínas animais;
  • Fatores genéticos e distúrbios metabólicos.

Sintomas:

Enquanto a pedra está parada dentro do rim, ela geralmente não dói. O problema ocorre quando ela se solta e tenta descer pelo ureter, o canal estreito que liga o rim à bexiga.

Isso provoca a cólica nefrética:

  • Dor súbita, intensa e em pontadas na região lombar ou nas costas, irradiando para a virilha;
  • Náuseas e vômitos devido à intensidade da dor;
  • Sangue na urina (hematúria), pois a pedra arranha as paredes do canal.

Prevenção e tratamento:

A hidratação adequada  é o melhor remédio. Caso já exista um cálculo renal, o tratamento varia desde o uso de analgésicos e apropriada ingesta hídrica  para expelir pedras pequenas, até procedimentos a laser para fragmentar pedras maiores.

A terceira doença mais comum começa na bexiga e pode afetar os rins, por isso merece muita atenção.

3. Pielonefrite (Infecção nos Rins)

Muitas pessoas já tiveram uma infecção urinária simples, a cistite, que afeta apenas a bexiga e causa ardência ao urinar.

No entanto, se essa infecção não for tratada corretamente, as bactérias podem subir pelos canais urinários e atingir os rins. Quando isso acontece, temos um quadro grave chamado pielonefrite.

Sintomas de alerta:

A pielonefrite afeta o corpo de forma sistêmica e aguda. Os sintomas incluem:

  • Febre alta, geralmente acima de 38,5°C, acompanhada de calafrios intensos;
  • Dor forte e constante na região lombar, frequentemente de um lado só;
  • Ardência ao urinar e urina turva com odor forte;
  • Prostração e fraqueza generalizada.

Riscos:

Infecções renais de repetição deixam cicatrizes no órgão, reduzindo sua capacidade de filtração de forma permanente.

Em casos graves, as bactérias podem atingir a corrente sanguínea, causando sepse. O tratamento exige uso imediato de antibióticos sob supervisão médica.

A quarta doença renal é menos comum, mas requer a mesma atenção que as demais.

4. Glomerulonefrites (Nefrites)

Os glomérulos são redes de minúsculos vasos sanguíneos responsáveis por filtrar o sangue dentro dos rins. As glomerulonefrites, ou simplesmente nefrites, ocorrem quando esses filtros inflamam.

Principais causas:

A inflamação raramente é causada por trauma físico. Geralmente, tem duas origens mais comuns:

Imunológica (autoimune):

O próprio sistema de defesa do corpo confunde os glomérulos com um inimigo e os ataca, como ocorre no Lúpus, por exemplo.

Pós-infecciosa:

Ocorre semanas após uma infecção de garganta ou pele causada por uma bactéria específica (estreptococo), quando os anticorpos produzidos se depositam nos rins e provocam inflamação.

Sintomas:

Como os filtros estão inflamados, eles deixam de funcionar corretamente e passam a “vazar” substâncias que não deveriam:

  • Hematúria: urina com coloração de chá mate, coca-cola ou sangue vivo, indicando vazamento de glóbulos vermelhos;
  • Proteinúria: urina com excesso de espuma que não desaparece, indicando vazamento de proteínas;
  • Inchaço progressivo  no rosto, especialmente nas pálpebras, e nas pernas;
  • Elevação abrupta da pressão arterial.

Em quinta posição no nosso guia, está uma doença de origem genética.

5. Doença Renal Policística Autossômica Dominante (DRPAD)

Diferente das doenças anteriores, a Doença Renal Policística Autossômica Dominante  (DRPAD) é uma condição hereditária. Ela faz com que múltiplos cistos, bolsas cheias de líquido, se desenvolvam e cresçam descontroladamente dentro dos rins.

Com o passar dos anos, esses cistos se expandem a ponto de reduzir consideravelmente  o tecido renal saudável. Rins que deveriam ter o tamanho de um punho fechado, cerca de 12 cm e 150 gramas, podem chegar a pesar quilos.

Essa informação traz maior atenção ao leitor? 

Para não chegar a essa situação, veja os sintomas e como agir caso receba esse diagnóstico.

Sintomas:

Os cistos costumam se manifestar com mais intensidade na fase adulta, entre os 30 e os 50 anos, e os sintomas incluem:

  • Sensação de peso, volume ou dor constante na barriga e nas costas;
  • Hipertensão arterial precoce e de difícil controle;
  • Infecções urinárias, sangue na urina e pedras nos rins frequentes.

Embora não tenha cura, o acompanhamento com o nefrologista é fundamental para controlar a pressão, monitorar o crescimento dos cistos e preservar a função renal pelo maior tempo possível.

Prevenção

As doenças renais têm naturezas diferentes, mas a base para proteger esses órgãos é a mesma. Prevenir é mais simples e eficaz do que remediar. Siga estas regras de ouro do cuidado renal:

Atenção ao Diabetes e à Hipertensão:

Se você tem uma dessas condições, o controle rigoroso da glicose e da pressão é o seu maior escudo contra a doença renal crônica.

Hidratação inteligente:

Beba água suficiente para que sua urina seja sempre amarelo-clara ou transparente. A quantidade ideal varia de pessoa para pessoa e quem define o seu volume diário é o seu médico nefrologista. A água contribui para a limpeza dos rins e previne a formação de pedras e a proliferação de bactérias.

Cuide da alimentação:

O excesso de sal sobrecarrega os rins e eleva a pressão arterial. Evite temperos em cubo, embutidos e alimentos ultraprocessados.

Cuidado com automedicação:

Anti-inflamatórios comuns, como ibuprofeno, diclofenaco e nimesulida, são altamente tóxicos para os rins quando usados com frequência. Nunca os utilize de forma prolongada sem orientação médica.

Faça o check-up anual:

A doença renal é silenciosa. A única forma de detectar um problema no início é por meio de dois exames simples e acessíveis: a dosagem de creatinina no sangue e o exame de urina (EAS e microalbuminúria).

Aqui no Centro Brasiliense de Nefrologia e Diálise (CBN&D), nosso foco vai desde a educação e a prevenção em nosso ambulatório até o fornecimento da tecnologia de diálise mais avançada do mundo para quem já perdeu a função renal.

O diagnóstico de um problema nos rins exige atenção, mas com a equipe médica correta e o suporte de um centro de excelência, é possível manter qualidade de vida e longevidade.

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