Os rins são verdadeiros heróis silenciosos do corpo humano. Trabalhando 24 horas por dia, 7 dias por semana, esses dois órgãos em formato de feijão filtram cerca de 180 litros de sangue diariamente.
Eles removem toxinas, equilibram a quantidade de água no organismo, controlam a pressão arterial e produzem hormônios essenciais para a saúde dos ossos e do sangue.
Apesar de desempenharem funções tão vitais, raramente recebem a mesma atenção preventiva que dedicamos ao coração ou ao cérebro.
Na maioria das vezes, só lembramos dos rins quando algo dá errado. E, devido à incrível capacidade de adaptação desses órgãos, quando eles finalmente emitem sinais de alerta, o problema já pode estar em estágio avançado.
Para ajudar você a entender melhor o próprio corpo e agir de forma preventiva, preparamos este guia completo.
Vamos explorar as cinco doenças renais mais comuns, desmistificar seus sintomas e ensinar como cuidar da sua saúde renal.
1. Doença Renal Crônica (DRC)
A Doença Renal Crônica não é propriamente uma única doença, mas sim o resultado final de diversas agressões que os rins sofrem ao longo de anos.
Ela é caracterizada pela perda lenta, progressiva e irreversível da capacidade de filtração: os néfrons, que são os microfiltros do rim, vão morrendo gradualmente e se transformando em cicatrizes.
Principais causas:
No mundo todo, as duas maiores causas da DRC são o Diabetes Mellitus, cujo excesso de açúcar corrói os micro vasos renais, e a Hipertensão Arterial, cuja pressão elevada e contínua sobrecarregam os filtros renais. Juntas, elas respondem por mais de 70% dos casos de falência renal.
Sintomas silenciosos:
A DRC é dividida em 5 estágios. Nos estágios 1, 2 e 3, ela é normalmente assintomática. O paciente não sente dor, não incha e urina normalmente.
Os sintomas da uremia, o acúmulo de toxinas no organismo, costumam aparecer nos estágios 4 e 5:
- Inchaço acentuado nas pernas, tornozelos e rosto;
- Cansaço extremo e falta de ar, devido à anemia severa;
- Náuseas e vômitos matinais, além de gosto metálico na boca;
- Urina espumosa, sinal de perda de proteína.
Tratamento:
Nas fases iniciais, o tratamento é conservador: controle rigoroso da pressão, da glicemia e da dieta.
Na fase 5, de falência renal, inicia-se a programação para a terapia de substituição renal, como o transplante ou a diálise.
Aqui no CBN&D somos pioneiros na Hemodiafiltração Diária (HDF), que remove as toxinas com muito mais eficiência do que a hemodiálise convencional, garantindo que o paciente com DRC avançada recupere sua vitalidade e qualidade de vida.
A próxima doença é talvez a mais conhecida pela população.
2. Cálculo Renal (Pedras nos Rins)
O cálculo renal, popularmente conhecido como pedra nos rins, é uma das condições urológicas e nefrológicas mais comuns e dolorosas.
Ele se forma quando há um desequilíbrio na urina: substâncias como cálcio, oxalato e ácido úrico ficam muito concentradas e se cristalizam, formando pedras que variam do tamanho de um grão de areia até o de uma bola de golfe.
Pedras de dimensões não usuais já foram encontradas nos rins, como foi o caso do ex-sargento Canistus Coonge, de 62 anos, no Sri Lanka, em 2023. O cálculo pesava 801 gramas e media 13,37 centímetros de comprimento.
Para não ter pedras recordistas no Guinness Book, entenda as causas, os sintomas e como se prevenir.
Principais causas:
- Baixa ingestão de água, que resulta em urina muito concentrada e amarelada;
- Consumo excessivo de sal e proteínas animais;
- Fatores genéticos e distúrbios metabólicos.
Sintomas:
Enquanto a pedra está parada dentro do rim, ela geralmente não dói. O problema ocorre quando ela se solta e tenta descer pelo ureter, o canal estreito que liga o rim à bexiga.
Isso provoca a cólica nefrética:
- Dor súbita, intensa e em pontadas na região lombar ou nas costas, irradiando para a virilha;
- Náuseas e vômitos devido à intensidade da dor;
- Sangue na urina (hematúria), pois a pedra arranha as paredes do canal.
Prevenção e tratamento:
A hidratação adequada é o melhor remédio. Caso já exista um cálculo renal, o tratamento varia desde o uso de analgésicos e apropriada ingesta hídrica para expelir pedras pequenas, até procedimentos a laser para fragmentar pedras maiores.
A terceira doença mais comum começa na bexiga e pode afetar os rins, por isso merece muita atenção.
3. Pielonefrite (Infecção nos Rins)
Muitas pessoas já tiveram uma infecção urinária simples, a cistite, que afeta apenas a bexiga e causa ardência ao urinar.
No entanto, se essa infecção não for tratada corretamente, as bactérias podem subir pelos canais urinários e atingir os rins. Quando isso acontece, temos um quadro grave chamado pielonefrite.
Sintomas de alerta:
A pielonefrite afeta o corpo de forma sistêmica e aguda. Os sintomas incluem:
- Febre alta, geralmente acima de 38,5°C, acompanhada de calafrios intensos;
- Dor forte e constante na região lombar, frequentemente de um lado só;
- Ardência ao urinar e urina turva com odor forte;
- Prostração e fraqueza generalizada.
Riscos:
Infecções renais de repetição deixam cicatrizes no órgão, reduzindo sua capacidade de filtração de forma permanente.
Em casos graves, as bactérias podem atingir a corrente sanguínea, causando sepse. O tratamento exige uso imediato de antibióticos sob supervisão médica.
A quarta doença renal é menos comum, mas requer a mesma atenção que as demais.
4. Glomerulonefrites (Nefrites)
Os glomérulos são redes de minúsculos vasos sanguíneos responsáveis por filtrar o sangue dentro dos rins. As glomerulonefrites, ou simplesmente nefrites, ocorrem quando esses filtros inflamam.
Principais causas:
A inflamação raramente é causada por trauma físico. Geralmente, tem duas origens mais comuns:
Imunológica (autoimune):
O próprio sistema de defesa do corpo confunde os glomérulos com um inimigo e os ataca, como ocorre no Lúpus, por exemplo.
Pós-infecciosa:
Ocorre semanas após uma infecção de garganta ou pele causada por uma bactéria específica (estreptococo), quando os anticorpos produzidos se depositam nos rins e provocam inflamação.
Sintomas:
Como os filtros estão inflamados, eles deixam de funcionar corretamente e passam a “vazar” substâncias que não deveriam:
- Hematúria: urina com coloração de chá mate, coca-cola ou sangue vivo, indicando vazamento de glóbulos vermelhos;
- Proteinúria: urina com excesso de espuma que não desaparece, indicando vazamento de proteínas;
- Inchaço progressivo no rosto, especialmente nas pálpebras, e nas pernas;
- Elevação abrupta da pressão arterial.
Em quinta posição no nosso guia, está uma doença de origem genética.
5. Doença Renal Policística Autossômica Dominante (DRPAD)
Diferente das doenças anteriores, a Doença Renal Policística Autossômica Dominante (DRPAD) é uma condição hereditária. Ela faz com que múltiplos cistos, bolsas cheias de líquido, se desenvolvam e cresçam descontroladamente dentro dos rins.
Com o passar dos anos, esses cistos se expandem a ponto de reduzir consideravelmente o tecido renal saudável. Rins que deveriam ter o tamanho de um punho fechado, cerca de 12 cm e 150 gramas, podem chegar a pesar quilos.
Essa informação traz maior atenção ao leitor?
Para não chegar a essa situação, veja os sintomas e como agir caso receba esse diagnóstico.
Sintomas:
Os cistos costumam se manifestar com mais intensidade na fase adulta, entre os 30 e os 50 anos, e os sintomas incluem:
- Sensação de peso, volume ou dor constante na barriga e nas costas;
- Hipertensão arterial precoce e de difícil controle;
- Infecções urinárias, sangue na urina e pedras nos rins frequentes.
Embora não tenha cura, o acompanhamento com o nefrologista é fundamental para controlar a pressão, monitorar o crescimento dos cistos e preservar a função renal pelo maior tempo possível.
Prevenção
As doenças renais têm naturezas diferentes, mas a base para proteger esses órgãos é a mesma. Prevenir é mais simples e eficaz do que remediar. Siga estas regras de ouro do cuidado renal:
Atenção ao Diabetes e à Hipertensão:
Se você tem uma dessas condições, o controle rigoroso da glicose e da pressão é o seu maior escudo contra a doença renal crônica.
Hidratação inteligente:
Beba água suficiente para que sua urina seja sempre amarelo-clara ou transparente. A quantidade ideal varia de pessoa para pessoa e quem define o seu volume diário é o seu médico nefrologista. A água contribui para a limpeza dos rins e previne a formação de pedras e a proliferação de bactérias.
Cuide da alimentação:
O excesso de sal sobrecarrega os rins e eleva a pressão arterial. Evite temperos em cubo, embutidos e alimentos ultraprocessados.
Cuidado com automedicação:
Anti-inflamatórios comuns, como ibuprofeno, diclofenaco e nimesulida, são altamente tóxicos para os rins quando usados com frequência. Nunca os utilize de forma prolongada sem orientação médica.
Faça o check-up anual:
A doença renal é silenciosa. A única forma de detectar um problema no início é por meio de dois exames simples e acessíveis: a dosagem de creatinina no sangue e o exame de urina (EAS e microalbuminúria).
Aqui no Centro Brasiliense de Nefrologia e Diálise (CBN&D), nosso foco vai desde a educação e a prevenção em nosso ambulatório até o fornecimento da tecnologia de diálise mais avançada do mundo para quem já perdeu a função renal.
O diagnóstico de um problema nos rins exige atenção, mas com a equipe médica correta e o suporte de um centro de excelência, é possível manter qualidade de vida e longevidade.