Quando pensamos em problemas de saúde, é natural associarmos doenças crônicas ou disfunções em órgãos vitais a adultos ou idosos.
No entanto, bebês e crianças também estão sujeitos a condições que afetam o funcionamento do sistema urinário.
Receber a notícia de que há algo errado com os rins do seu filho é, compreensivelmente, um dos momentos mais difíceis para qualquer família.
É para acolher, investigar e tratar esse público tão sensível que existe a nefrologia pediátrica.
O médico especializado em cuidar dos rins, da pressão arterial e das vias urinárias de bebês, crianças e adolescentes, o nefrologista pediátrico, tem uma missão diferente da do médico de adultos.
A criança é um ser em pleno desenvolvimento. Os rins na infância não servem apenas para filtrar toxinas; eles são fundamentais para o crescimento adequado, para a formação dos ossos e para a produção de hormônios essenciais.
Neste guia completo, elaborado pela nossa equipe aqui no Centro Brasiliense de Nefrologia e Diálise (CBN&D), vamos traduzir os termos médicos, explicar quais são os sinais de alerta que os pais não devem ignorar e detalhar os tratamentos para as condições renais mais comuns na infância.
A primeira coisa que precisamos conhecer são os sintomas, assim estamos preparados caso algo diferente surja.
Sinais de Alerta
A doença renal na infância é frequentemente silenciosa ou apresenta sintomas que podem ser facilmente confundidos com outras doenças comuns dessa fase da vida.
Por isso, a observação atenta dos pais e o acompanhamento regular com o pediatra são indispensáveis.
A seguir, listamos os principais motivos que devem levar uma família ao consultório de um nefropediatra:
1. Febre sem causa em bebês
Na fase de amamentação e nos primeiros anos de vida, as crianças costumam ter febre por conta de viroses, nascimento dos dentes ou infecções de garganta.
Porém, uma febre sem causa aparente, aquela febre alta que surge sem tosse, sem coriza e sem dor de ouvido, é um importante sinal de alerta.
Na maioria das vezes, essa febre isolada pode ser um sintoma de uma infecção urinária silenciosa. Se o bebê apresenta febre persistente sem nenhum outro sintoma aparente, o exame de urina é indicado.
2. Infecção de urina de repetição na infância
Um episódio isolado de infecção urinária pode acontecer. Contudo, a infecção urinária de repetição na infância não é esperada e jamais deve ser tratada apenas com antibióticos isoladamente, sem investigar a causa raiz.
Crianças, especialmente meninas, que apresentam ardência, dor para urinar ou febre com frequência podem ter malformações anatômicas no trato urinário que facilitam a subida de bactérias até os rins.
Cada infecção que atinge os rins pode deixar uma cicatriz que prejudica o órgão pelo resto da vida. Por isso, a importância de se dar atenção a esses sintomas.
3. Inchaço nos olhos
Acordar com o rosto inchado, especialmente nas pálpebras, é um sintoma clássico na pediatria.
Muitos pais procuram oftalmologistas ou alergistas acreditando se tratar de uma conjuntivite ou alergia à poeira.
No entanto, a criança com inchaço nos olhos (edema palpebral) que não melhora com antialérgicos e que começa a apresentar inchaço também nas pernas e na barriga pode estar sofrendo de perda severa de proteínas pela urina, um problema de cunho renal.
4. Urina com espuma ou alterações de cor
A urina saudável de uma criança deve ser amarelo-clara e sem resíduos. Notar urina com espuma, uma espuma densa que parece sabão e demora a desaparecer no vaso sanitário, é um forte indício de que os filtros dos rins estão deixando vazar proteínas.
Além disso, urina com coloração avermelhada ou cor de chá mate indica presença de sangue (hematúria) e exige avaliação nefrológica imediata.
Diagnósticos e Doenças Mais Comuns
Quando esses sintomas são investigados pelo nefropediatra, os diagnósticos costumam se dividir entre condições congênitas, com as quais a criança já nasce, e condições adquiridas ou imunológicas.
Veja as condições mais pesquisadas pelos pais:
1. Rim dilatado no ultrassom do bebê (Hidronefrose Fetal)
Hoje, graças aos avanços da medicina fetal, muitos problemas renais são descobertos antes mesmo do nascimento.
É comum que mães leiam no laudo do ultrassom morfológico o termo “dilatação piélica” ou encontrem a indicação de rim dilatado. Esse quadro é clinicamente chamado de hidronefrose fetal.
Ele ocorre quando há acúmulo de urina dentro do rim do feto. O motivo mais comum é um estreitamento na junção do rim com o canal que desce até a bexiga (JUP).
Na grande maioria dos casos, essa dilatação é leve e se resolve espontaneamente após o nascimento. No entanto, a criança precisará ser acompanhada pelo nefropediatra logo nos primeiros dias de vida, por meio de ultrassons seriados, para garantir que a urina está fluindo normalmente e que a função do rim não está sendo prejudicada.
2. Refluxo Vesicoureteral
Lembra da infecção urinária de repetição mencionada anteriormente? O refluxo vesicoureteral é frequentemente o grande responsável.
Em um sistema urinário saudável, a urina é produzida nos rins, desce pelos ureteres até a bexiga e é eliminada. Uma espécie de “válvula” impede que ela volte.
Na criança com refluxo, essa válvula é imatura ou defeituosa. Quando a bexiga se enche ou quando a criança faz esforço para urinar, a urina “volta” em direção aos rins.
Se houver bactérias na bexiga, elas percorrem rapidamente esse caminho até os rins, causando uma infecção grave (pielonefrite). O diagnóstico precoce e o acompanhamento preventivo evitam a perda da função renal.
3. Síndrome Nefrótica Infantil
A síndrome nefrótica infantil é a principal causa por trás do inchaço nos olhos e da urina com espuma em crianças.
Trata-se de uma doença imunológica em que os filtros dos rins (glomérulos) inflamam subitamente e passam a perder uma quantidade massiva de proteína (albumina) pela urina.
Sem a proteína responsável por reter os líquidos dentro dos vasos sanguíneos das veias, a água escapa para os tecidos, causando inchaço rápido e generalizado. A criança ganha peso de forma atípica em poucos dias.
Apesar de preocupante, trata-se de um quadro bem conhecido pelo nefropediatra. Na maioria dos casos em crianças, a chamada Doença de Lesões Mínimas, a doença responde muito bem ao tratamento com corticosteroides, atingindo remissão completa.
4. Enurese Noturna (Xixi na cama)
O desfraldamento é um processo, e cada criança tem o seu próprio ritmo.
Porém, a enurese noturna passa a ser uma preocupação médica quando a criança tem mais de 5 a 7 anos e continua molhando a cama com frequência, ou quando já havia parado e, de repente, volta a apresentar o problema.
Embora na maioria das vezes esteja relacionada ao amadurecimento neurológico do controle da bexiga ou a questões emocionais, como a chegada de um irmão, o nefropediatra é o médico ideal para descartar causas físicas.
Ele investigará disfunções miccionais, bexiga hiperativa, infecções silenciosas ou constipação intestinal severa, que costuma pressionar a bexiga da criança e provocar o escape noturno.
Agora que entendemos os sintomas e as doenças, é hora de conhecer como tratar e como nossa equipe pode cuidar do seu filho.
O Tratamento de doenças renais para crianças e o Papel do CBN&D
A conduta em nefrologia pediátrica é focada na prevenção.
O objetivo principal do tratamento é adotar medidas clínicas, nutricionais e medicamentosas para que o rim da criança funcione pelo maior tempo possível, permitindo que ela atinja altura e peso ideais na fase adulta.
Isso é feito por meio de consultas regulares, controle da pressão arterial, sim, crianças também podem ter pressão alta, ajuste criterioso da dieta para evitar sobrecarga dos rins sem causar desnutrição, e acompanhamento rigoroso do calendário vacinal.
Quando o tratamento conservador não é mais suficiente e o órgão entra em falência, avança-se para a terapia de substituição renal (diálise). Nesses casos, a escolha da clínica é fundamental.
Onde encontrar um Nefropediatra em Brasília?
Se a sua família busca um nefrologista pediátrico em Brasília e por ter as nefrologistas pediátricas de referência no tratamento das doenças renais na infância no DF, o Centro Brasiliense de Nefrologia e Diálise (CBN&D) se destaca pela sua abordagem interdisciplinar.
Entendemos que o cuidado pediátrico não é responsabilidade exclusiva do médico. Ele exige uma equipe interdisciplinar completa.
Nossos nutricionistas orientam os pais na adaptação do cardápio; nossos psicólogos acolhem as angústias da família e ajudam a criança a não ter medo do ambiente clínico; e nossos enfermeiros tratam os pequenos pacientes com a delicadeza e o afeto que eles merecem.
Além do atendimento ambulatorial preventivo e diagnóstico, caso a criança necessite de tratamentos mais complexos, o CBN&D oferece infraestrutura de ponta, com segurança absoluta nos materiais e conforto que ameniza a rotina do tratamento.
A saúde renal do seu filho determinará a energia que ele terá para descobrir o mundo. Se o pediatra solicitou uma avaliação, ou se você identificou algum dos sinais de alerta descritos aqui, não hesite em buscar especialistas dedicados à infância.
O diagnóstico precoce é o maior ato de amor e proteção que você pode oferecer.
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