Para o paciente com Doença Renal Crônica que necessita iniciar as sessões de diálise, o acesso vascular é o elemento mais importante e precioso de todo o tratamento. Afinal, é através dele que o sangue pode ser removido do corpo com segurança, passar pelas membranas purificadoras da máquina e retornar ao organismo limpo, livre de excesso de líquidos e toxinas.
Quando o paciente não possui uma fístula arteriovenosa (FAV) madura, pronta para o uso, ou quando as veias dos braços já se esgotaram, a alternativa clínica imediata da equipe médica é o implante de um cateter venoso central para diálise. Este, pode ser de curta ou longa permanência, sendo o último o de escolha.
Na linguagem da Nefrologia, o cateter é tratado como a “linha de vida” do paciente. Contudo, manter um cateter funcionando de forma saudável é uma tarefa que exige atenção extrema e cuidados rigorosos. Proteger esse dispositivo contra infecções e obstruções é uma responsabilidade rigorosamente dividida entre a equipe de enfermagem da clínica e o próprio paciente dentro da sua rotina diária, assim como com os familiares e/ou cuidadores.
O Centro Brasiliense de Nefrologia e Diálise (CBN&D) preparou este guia completo e detalhado para ajudar você, paciente, familiar e/ou cuidador, a incorporar as melhores práticas no dia a dia, preservando a durabilidade do cateter e protegendo assim, a saúde sistêmica de quem se submete ao tratamento.
Entendendo o seu acesso- Temporário ou Longa Permanência
O cuidado com o cateter começa pelo entendimento de qual dispositivo foi implantado no seu corpo. Existem dois grandes grupos principais:
- Cateter de Curta Permanência (Duplo Lúmen simples): Geralmente inserido na veia jugular (pescoço) ou femoral (virilha) em casos de emergência. Ele sai diretamente da veia perfurada para fora da pele. É um acesso provisório (para poucos dias ou semanas) e possui um risco altíssimo de infecção se molhado, exigindo o maior nível de cuidado. É importante reforçar que este cateter só deve ser o de escolha, se houver necessidade de uma diálise de emergência ou se o paciente crônico não tem o acesso definitivo maduro.
- Cateter de Longa Permanência: é o modelo mais seguro. Durante uma pequena cirurgia, o médico cria um “túnel” debaixo da pele no tórax do paciente. O cateter é inserido na veia em um ponto, ficando a outra extremidade fora do corpo, para possibilitar a conexão para ser realizada a diálise. Ele possui um pequeno anel de dacron que cicatriza na pele, servindo como uma barreira física formidável contra as bactérias, reduzindo consideravelmente os riscos de infecção. Pode-se dizer que esta barreira, também chamada Cuff é a maior diferença entre os dois cateteres (de curta e longa permanência).
Os dois maiores inimigos: Infecção e Obstrução
Independentemente do modelo, o cateter é um corpo estranho de material sintético que conecta o ambiente externo poluído diretamente a um vaso sanguíneo central que deságua no coração. Por isso, ele sofre ameaças constantes:
O mecanismo da Infecção e do Biofilme Nossa pele é coberta por bactérias naturais. Se o curativo do cateter umedecer e essas bactérias chegarem a esse material sintético, elas podem descer pelo túnel até a corrente sanguínea. Pior do que isso, as bactérias formam uma colônia coberta por uma espécie de muco chamada biofilme dentro do cateter. Esse biofilme age como um escudo que nem os antibióticos fortes conseguem penetrar, o que quase sempre obriga o médico a retirar cirurgicamente o cateter para evitar que o paciente apresente uma infecção generalizada. Nesse caso, teria que ser inserido um outro cateter em um novo sítio.
O perigo da Obstrução (Trombose do Cateter) O sangue, quando em contato com o material sintético, começa a formar pequenos coágulos na tentativa de “cicatrizar” o material estranho. Se o paciente dormir em cima do cateter dobrando as vias, ou se ele for tracionado, esses coágulos obstruem a luz interna do tubo, obstruindo a passagem de sangue. Sem fluxo, a máquina alarma sem parar, e a sessão de diálise se torna mais difícil de ser conduzida, sendo necessário ser interrompida, em alguns casos.
Manual de Cuidados Diários: O que fazer em casa
Para afastar esses dois grandes inimigos, regras simples, porém rígidas, devem governar a sua rotina doméstica:
1. O grande desafio: O Banho A umidade é o maior veículo para bactérias. O curativo deve permanecer 100% seco.
- Nunca utilize banheiras ou entre em mar ou piscinas deixando o curativo ser atingido pela água.
- O banho de chuveiro de teto é possível, a depender do tipo de curativo em uso: se impermeável, ou seja, que não absorve a água, e bem protegido, é possível. Se impermeável (em geral nos primeiros dias de uso, após o implante), não é possível.
- Utilize um chuveirinho manual, lavando o corpo em partes, sempre da cintura para baixo, evitando que a água escorra do pescoço para o tórax, caso esteja usando um curativo permeável, ou seja, que absorva a água.
- Acidente no banho? Se o curativo molhar ou descolar uma das pontas, a regra é não tentar secar com toalhas, tecidos ou secador de cabelo (que apenas joga ar contaminado no local):proteja a área com gazes estéreis e comunique imediatamente a sua clínica de diálise para que o curativo seja trocado sob técnica asséptica, pelos profissionais de Enfermagem.
2. O vestuário e o repouso noturno Roupas ásperas ou justas podem criar atrito constante e repuxar os pontos que seguram o cateter. Dê preferência a camisas de algodão, largas e de abotoar na frente. Evite colares ou correntes que fiquem em contato com o cateter. Na hora de dormir, preste atenção na posição. Deitar-se de bruços ou totalmente inclinado sobre o ombro do lado do cateter pode dobrar a via interna e gerar tromboses. Tente treinar o sono de barriga para cima ou sobre o lado oposto ao do implante. Mas durma confortável: é possível!!!
3. Manipulação exclusivamente técnica Essa é a regra de ouro: pacientes e familiares jamais devem abrir, coçar ou puxar as linhas do cateter. O curativo deve ser manuseado apenas por profissionais de enfermagem da clínica, utilizando gorro, máscara facial, luvas e materiais estéreis. A abertura do sistema fora desse ambiente é um convite direto à penetração de bactérias no cateter.
4. Fazer uso das medicações prescritas, como anticoagulantes orais, se necessário, para auxiliar a manutenção do acesso (nesse caso, o cateter) fluido, sem coágulos para não obstruir o mesmo.
Quais são os sinais de alerta que exigem ação imediata?
A observação diária em frente ao espelho pode salvar a saúde do paciente. Você deve entrar em contato imediato com a Equipe de Nefrologia, caso perceba:
- Febre isolada ou Calafrios (Tremores): Sintoma muito comum, os tremores violentos que começam durante a diálise ou logo após chegar em casa costumam ser a primeira evidência de infecção no sangue por causa do cateter.
- Vermelhidão, calor e dor: Se a pele ao redor de onde o cateter entra estiver quente, inchada, repuxando de dor ou liberando um líquido amarelado (pus).
- Deslocamento: Se o cateter parece estar “escorregando” para fora mais do que o normal.
- Sangramento Ativo: O curativo normal pode ter um pequeno coágulo de sangue antigo. No entanto, se houver manchas de sangue vivo se espalhando pela gaze rapidamente, comprima levemente o local por cima do curativo e procure a Clínica ou se em horários não disponíveis para atendimento, pronto-socorro imediatamente.
O compromisso e a excelência do CBN&D
No Centro Brasiliense de Nefrologia e Diálise (CBN&D), a proteção dos acessos vasculares não é vista apenas como um detalhe técnico, mas como um cuidado prioritário diário para segurança do paciente. Nossa equipe de enfermagem é minuciosamente treinada em rigorosos protocolos de assepsia e manejo de cateteres venosos centrais, assegurando que todo o processo de inspeção, realização dos cuidados como troca de curativos, prevenção de coágulos, entre outros, seja realizado com excelência clínica, garantindo a qualidade da vida do acesso e consequentemente, de nosso paciente.
Mas, o cuidado vai muito além da capacitação dos profissionais. Ao combinar os cuidados no uso de tecnologias oferecidas, como tratamento de água ultrapura, dialisadores de alto fluxo, equipamentos e materiais de primeira linha, entre outros, associados a uma conduta ética e humanizada, baseada na ciência, faz o compromisso e a excelência do CBN&D.
O CBN&D trabalha para reduzir seu estado de inflamação provocado pela doença renal crônica, oferecendo concomitantemente uma vida mais próxima da esperada por você e seu preparo para o transplante, quando possível.