Nossos rins trabalham todos os dias para manter o organismo em equilíbrio. Eles funcionam como filtros naturais, ajudando a eliminar substâncias que o corpo não precisa e regulando a quantidade de minerais presentes no sangue.
Quando a função renal diminui, esse equilíbrio pode ficar comprometido, dificultando a eliminação de alguns minerais, como o fósforo e o potássio.
1. O Fósforo e a Saúde dos Ossos
O fósforo é essencial para a formação óssea e geração de energia. No entanto, quando ele se acumula no sangue do paciente renal, ele se liga ao cálcio e pode se depositar nos vasos sanguíneos, causando calcificação. Além disso, o excesso de fósforo é o grande responsável por aquele sintoma extremamente incômodo de coceira intensa na pele (prurido) e pelo enfraquecimento dos ossos a longo prazo.
Como controlar na prática:
- Fuja dos Aditivos Químicos: O fósforo inorgânico, encontrado em produtos ultraprocessados (embutidos, refrigerantes à base de cola, congelados e conservantes), é absorvido em quase 100% pelo intestino. Eles são os verdadeiros vilões.
- Atenção aos Laticínios e Proteínas: O fósforo natural das carnes e do leite também precisa de controle, mas a absorção é menor (em torno de 50%).
- O Uso dos Quelantes: Os quelantes de fósforo são medicamentos que ajudam a reduzir a absorção do fósforo presente nos alimentos, contribuindo para o controle dos seus níveis no sangue.
Para que funcionem adequadamente, é fundamental tomá-los junto com as refeições ou conforme a orientação médica, pois eles atuam no sistema digestivo, ligando-se ao fósforo dos alimentos e diminuindo sua absorção pelo organismo.
2. O Potássio e a Proteção do Coração
O potássio é um mineral essencial para o organismo. Ele participa da contração dos músculos, do funcionamento neurológico e da manutenção do ritmo cardíaco.
O organismo mantém a concentração de potássio no sangue dentro de uma faixa adequada para o seu bom funcionamento. Os rins têm papel fundamental nesse controle, eliminando principalmente o excesso de potássio pela urina e, uma pequena quantidade pelas fezes e pelo suor
Quando o potássio está elevado (hipercalemia) ele altera a atividade elétrica das células, podendo afetar a contração muscular e o funcionamento elétrico do coração.
Dependendo da intensidade da alteração, podem ocorrer:
Fraqueza muscular → alterações na condução cardíaca → arritmias → parada cardíaca.
A hipercalemia pode ser grave e potencialmente fatal. Muitas vezes, os sintomas não acompanham a alteração do exame: uma pessoa pode não apresentar sinais importantes mesmo estando com hipercalemia.
Por isso, o acompanhamento regular dos níveis de potássio é fundamental. Mantenha o acompanhamento com a equipe de saúde e siga as orientações recebidas.
COMO O POTÁSSIO DOS ALIMENTOS É ABSORVIDO?
O potássio dos alimentos é absorvido principalmente no intestino. Porém, nem todo potássio ingerido será absorvido.
Alimentos vegetais in natura (50–60% de absorção)
Frutas, verduras, legumes, feijões e outros alimentos vegetais contém fibras e outros nutrientes que podem reduzir a quantidade de potássio disponível para absorção no intestino.
Isso significa que parte do potássio não é absorvida e segue pelo intestino, sendo eliminada nas fezes. As fibras desses alimentos também são importantes para o bom funcionamento intestinal.
Retirar esses alimentos pode reduzir o consumo de fibras, vitaminas e outros nutrientes importantes. A baixa ingestão de fibras pode favorecer a constipação (intestino preso). Quando o intestino fica mais devagar, aumenta o tempo de contato do potássio com o intestino, podendo favorecer sua reabsorção e contribuir para a elevação do nível no sangue.
Alimentos de origem animal (70–90% de absorção)
Alimentos ultraprocessados (possuem aditivos):
– 90% de absorção.
Nos alimentos industrializados, o potássio pode estar presente na forma de sais adicionados, que são altamente absorvidos.
O Sal e a Sede: O Desafio do Volume Líquido
Controlar a ingestão de sal (sódio) vai muito além de evitar a pressão alta. O sódio atua como um “ímã” para a água no nosso corpo. Quanto mais salgado o alimento, mais sede o paciente sente.
Como o paciente em diálise costuma ter uma redução no volume da urina, a água ingerida para matar a sede do sal fica acumulada no corpo. Isso gera inchaço nas pernas, falta de ar (água no pulmão) e exige que a máquina de hemodiálise retire um volume muito grande de líquidos na sessão seguinte, o que pode causar quedas de pressão e cãibras dolorosas.
Dica de Sabor: Substitua o sal refinado e os temperos prontos (em tabletes) por ervas naturais e especiarias vibrantes: alho, cebola, orégano, manjericão, cúrcuma, páprica, limão e azeite. O paladar se adapta rapidamente, e a comida ganha muito mais riqueza e aroma.
Sua alimentação é única, assim como você!
Cada pessoa tem uma história, uma rotina e necessidades diferentes. Por isso, o cuidado nutricional na doença renal crônica não deve seguir uma dieta pronta, igual para todos. A alimentação precisa ser planejada de acordo com as necessidades de cada paciente, respeitando sua saúde, suas preferências e sua realidade.
No Centro Brasiliense de Nefrologia e Diálise (CBN&D), o acompanhamento nutricional é individualizado e considera aspectos importantes, como:
Seus exames laboratoriais: os resultados ajudam a identificar quais nutrientes precisam de maior atenção e quando é possível flexibilizar algumas escolhas alimentares, sempre com segurança.
Seu tratamento renal: a modalidade de tratamento, a frequência e a duração das sessões de diálise, assim como a função renal residual, influenciam suas necessidades nutricionais.
Seus hábitos e sua rotina: suas preferências alimentares, seus costumes, sua condição financeira e a realidade da sua família também fazem parte do planejamento alimentar.
Com orientação nutricional individualizada e o apoio de uma equipe interdisciplinar, é possível fazer escolhas mais conscientes, cuidar dos exames e manter uma alimentação variada e saborosa.
Nosso objetivo é cuidar de você por inteiro! Queremos que você se sinta seguro para fazer suas escolhas, tenha mais tranquilidade na hora de comer e encontre na alimentação uma aliada para sua saúde e qualidade de vida.
Porque cuidar da alimentação não precisa ser sinônimo de medo ou privação. Com informação, acolhimento e acompanhamento adequado, a comida pode continuar sendo fonte de prazer, afeto e bons momentos ao lado de quem você ama.