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Exames alterados? Saiba quando procurar um nefrologista

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16/04/2026

Exames alterados: quando procurar um nefrologista? O guia completo sobre a saúde dos seus rins

Fazer um check-up médico de rotina é um hábito fundamental para a manutenção da saúde.

No entanto, o momento de abrir os resultados dos exames de sangue costuma gerar certa apreensão. Quando nos deparamos com asteriscos e valores em negrito ao lado de nomes como creatinina e ureia, é natural que a preocupação surja imediatamente. Afinal, esses são os principais marcadores da nossa função renal.

Se o seu médico clínico geral, cardiologista ou endocrinologista apontar que há algo fora do padrão nesses índices, você provavelmente está se perguntando: “O que isso significa na prática? Meus rins estão parando? Devo procurar um nefrologista imediatamente?”.

Neste artigo,vamos explicar tudo o que você precisa saber sobre as alterações nos exames renais, desmistificando o medo do diagnóstico e mostrando por que a avaliação precoce é a sua maior aliada.


Compreendendo como os seus rins funcionam?

Antes de entendermos os exames, precisamos entender os órgãos que eles avaliam. Os rins são dois órgãos em formato de feijão, localizados na parte de trás do abdômen, que funcionam como a “principal estação de tratamento de água e esgoto do nosso corpo”.

Eles recebem cerca de 20% de todo o sangue bombeado pelo coração a cada minuto. Dentro de cada rim, existem cerca de um milhão de unidades filtradoras microscópicas chamadas néfrons. Esses néfrons trabalham incansavelmente, 24 horas por dia, para:

  • Filtrar toxinas e resíduos do metabolismo celular;
  • Regular a quantidade de água no corpo (evitando a desidratação ou o inchaço);
  • Equilibrar eletrólitos fundamentais, como sódio, potássio, cálcio e fósforo;
  • E produzir hormônios que controlam a pressão arterial, estimulam a produção de glóbulos vermelhos (evitando a anemia) e mantêm os ossos fortes.

Quando os rins sofrem alguma agressão seja por pressão alta, diabetes, infecções ou uso indiscriminado de medicamentos, os néfrons começam a perder sua capacidade de filtração. É exatamente essa falha que os exames de sangue conseguem detectar.

O que é a Creatinina e por que ela se altera?

A creatinina é, sem dúvida, o principal termômetro da saúde renal. Mas de onde ela vem?

Nossos músculos contêm uma substância chamada creatinina, que fornece energia para a contração muscular. Quando usamos nossos músculos no dia a dia, ocorre uma quebra natural dessa substância, podendo ser liberada na corrente sanguínea.

Como a creatinina é um resíduo constante no sangue, ela precisa ser eliminada. Essa tarefa é exclusiva dos rins. Se os rins estão funcionando perfeitamente, a creatinina é filtrada e vai embora na urina.

No entanto, se os filtros renais estão danificados ou lentos, a creatinina começa a se acumular na corrente sanguínea.

Portanto, creatinina alta no sangue pode significar que os rins não estão conseguindo limpá-lo adequadamente. 

Limitações e variações da Creatinina

É importante destacar que o valor considerado “normal” de creatinina varia de acordo com a idade, o sexo e a massa muscular de cada indivíduo. Por exemplo:

Um jovem fisiculturista, com muita massa muscular, pode ter uma creatinina um pouco acima da média sem que isso represente uma doença renal.

Em contrapartida, um idoso com pouca massa muscular pode ter um exame de creatinina aparentemente “normal”, mas já possuir uma função renal bastante comprometida.

É por isso que o exame de creatinina nunca deve ser interpretado de forma isolada, mas sim avaliado por um nefrologista experiente.

O que é a Ureia?

A ureia é outro marcador clássico solicitado nos check-ups. Ela é o resultado final da quebra das proteínas que ingerimos na alimentação e das proteínas do nosso próprio corpo. O fígado transforma esses resíduos em ureia, que é lançada no sangue para ser excretada pelos rins.

Assim como a creatinina, quando os rins falham, a ureia se acumula no sangue. Valores muito altos de ureia no organismo causam uma condição chamada uremia, que é tóxica e provoca sintomas como náuseas, vômitos, confusão mental, gosto metálico na boca e coceira pelo corpo.

No entanto, a ureia é um marcador menos específico que a creatinina. Ela pode se elevar por outros motivos que não a doença renal, tais como:

  • Desidratação grave;
  • Dietas hiperproteicas (consumo excessivo de carnes e suplementos de proteína);
  • Sangramentos no trato digestivo;
  • Uso de certos medicamentos, como corticoides.

O exame definitivo: A Taxa de Filtração Glomerular (TFG)

Se a creatinina e a ureia são os termômetros, a Taxa de Filtração Glomerular (TFG) é o diagnóstico preciso.

A TFG é um cálculo matemático feito pelo laboratório (ou pelo seu nefrologista) que utiliza o valor da sua creatinina, cruzando-o com sua idade e sexo.

O resultado desse cálculo estima exatamente quantos mililitros de sangue os seus rins conseguem filtrar por minuto.

É através da TFG que o nefrologista classifica a saúde dos seus rins em estágios:

Estágios 1 e 2:

Função renal normal ou com leve diminuição (geralmente TFG acima de 60 ml/min), mas com algum outro sinal de dano renal (como perda de proteína na urina).

Estágio 3 (A e B):

Perda moderada da função renal (TFG entre 30 e 59 ml/min). Aqui, o acompanhamento nefrológico já é essencial.

Estágio 4:

Perda severa da função renal (TFG entre 15 e 29 ml/min). Fase crítica de preparação para terapias de substituição.

Estágio 5:

Falência renal (TFG abaixo de 15 ml/min). Neste ponto, os rins podem já não sustentar a vida sozinhos, sendo necessária a diálise ou o transplante renal.

Outros sinais de alerta: O exame de Urina (EAS e Microalbuminúria)

Muitas vezes, o dano renal começa antes mesmo da creatinina subir no sangue. Os rins saudáveis não deixam vazar substâncias importantes, como as proteínas e o sangue, para a urina.

Se o seu exame de urina de rotina (EAS) apontar a presença de proteínas (proteinúria) ou sangue (hematúria), isso pode ser um sinal claro de que os filtros renais estão “esburacados”.

O exame de microalbuminúria, que detecta quantidades minúsculas de uma proteína chamada albumina na urina, é o padrão-ouro para detectar lesões renais precoces, especialmente em pacientes diabéticos e hipertensos.

O perigo de esperar: Por que o diagnóstico precoce salva vidas?

A Doença Renal Crônica (DRC) possui uma característica traiçoeira: ela é assintomática em suas fases iniciais. Você pode perder até 60% ou 70% da sua função renal sem sentir absolutamente nenhuma dor, inchaço ou cansaço. Quando os sintomas físicos finalmente aparecem, o quadro geralmente já é irreversível e avançado (Estágios 4 ou 5).

Muitos pacientes, ao verem uma creatinina de 1.5 mg/dL (quando o limite do laboratório é 1.2 mg/dL), pensam: “Passou só um pouquinho, não deve ser nada grave”.

Esse é um erro perigoso. Uma pequena elevação na creatinina pode representar uma queda drástica na sua capacidade real de filtração (TFG).

Procurar um nefrologista precocemente permite investigar a causa raiz do problema, que frequentemente está ligada a condições de base mal controladas, e agir imediatamente.

Tratamento Conservador x Hemodiálise: Desmistificando o medo

Um dos maiores motivos que afastam os pacientes do consultório do nefrologista é o medo. Muitas pessoas associam a figura desse especialista automaticamente à máquina de hemodiálise.

É preciso quebrar esse estigma. Ir ao nefrologista nas fases iniciais da alteração dos exames é justamente o que vai evitar ou adiar a necessidade de diálise. Essa abordagem inicial é chamada de Tratamento Conservador.

O tratamento conservador não envolve máquinas. Ele consiste em um conjunto de estratégias clínicas, nutricionais e de estilo de vida para proteger os néfrons que ainda estão saudáveis. Ele inclui:

  1. Controle rigoroso da pressão arterial e do diabetes: As duas maiores causas de falência renal no mundo. Manter essas doenças sob controle restringe a destruição dos rins.
  2. Ajuste de medicamentos: O nefrologista irá suspender remédios que são tóxicos para os rins (nefrotóxicos), como anti-inflamatórios não esteroides (ibuprofeno, diclofenaco, nimesulida), e avaliar a introdução de  medicamentos protetores da função renal.
  3. Terapia nutricional especializada: Redução inteligente do consumo de sal, adequação da quantidade de proteínas na dieta ( e controle de minerais como potássio e fósforo, dependendo do estágio da doença.
  4. Tratamento da anemia e da parte óssea: Suplementação de ferro, vitaminas e uso de eritropoietina (EPO) sintética para manter a energia e a saúde dos ossos do paciente.

O Jeito CBN&D de cuidar dos seus rins

Aqui no Centro Brasiliense de Nefrologia e Diálise (CBN&D), compreendemos que o diagnóstico de uma alteração renal gera dúvidas e necessita de um acolhimento completo. Nossa atuação vai muito além da diálise de alta performance.

Contamos com um ambulatório focado na prevenção e no tratamento conservador da Doença Renal Crônica. Acreditamos que o cuidado eficiente é interdisciplinar.

Por isso, ao trazer seus exames alterados para nossa equipe, você será acompanhado não apenas por médicos nefrologistas de excelência, mas também por nutricionistas especializados em dietas renais, psicólogos para apoio emocional e enfermeiros dedicados à sua jornada de saúde e fisioterapeutas que vão ajudar no fortalecimento do seu corpo.

Seus exames de sangue recentes apontaram alterações na creatinina ou na ureia? Seu exame de urina revelou perda de proteínas ou sangue? Não espere os sintomas aparecerem para tomar uma atitude.

A prevenção e o tratamento clínico adequado são as ferramentas mais poderosas para proteger a saúde dos seus rins a longo prazo.

Não deixe a sua saúde renal para depois. Entre em contato com a equipe de atendimento e agende uma consulta com nossos especialistas.

Cuidar dos seus rins hoje é garantir a sua qualidade de vida amanhã.

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